A chegada de ano trouxe boas novidades. E como sempre, desafios. Se 2009 já tinha ficado pra minha humilde história, 2010 parece querer um espacinho especial também. O único problema é a falta que essa amada tecnologia, chamada internet, faz. Nunca pensei que tal ausência seria tão notada e sentida. Sem a web lá se vão horas e horas sem acessar o youtube. Nada de entrevistas e shows da Ellen Degeneres, melhores momentos do American Idol. Baixar séries preferidas? Isso não me pertence mais. Um tchau triste para Desperate Housewives, Cougar Town, Flash Forward (cai uma lágrima).
Enfim, todas as amadas besteiras que tomam o nosso precioso tempo, mas que não conseguimos viver sem.
Enquanto isso, os horários vão sendo preenchidos com muito trabalho e aprendizado. Momento de agarrar a oportunidade e faze-la render por muito e muito tempo.
Por enquanto é só. Obrigado ao seleto grupo de pessoas que passam por aqui. Só vocês pra lerem todas as asneiras que escrevo. :D
sábado, 16 de janeiro de 2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Acting like sour milk on the floor
Não são poucos os que têm o dom de incomodar. Dizer algo besta e atitudes mal intencionadas são tão comuns que parece algo natural, biológico. O pior, se ainda pode ficar realmente pior, é quando toda essa mistura corrosiva vem acompanhada do tão famoso rei na barriga.
Foi aí que notei quão triste deve ser a vida de um certo “Zé” aqui de minha cidade. Sempre rodeado das pessoas que se acham influenciáveis, Zé parece seguir na mesma direção da patotinha ‘famosos por não fazerem nada relevante’. Com o tempo, essa persona que apresentava certo talento profissional foi se perdendo no caminho do tão badalado mundo das baladas, como se elas realmente existem aqui em nossa terrinha sharkcitiana.
Nas fotos, a companhia dos famosos, sejam eles de nível estadual, nacional e até internacional (aham, acreditamos). Na cara, o sorriso sarcástico que está longe do humor negro inteligente. Comparando-se aos mais nobres artistas da área, ele vem se achando o último crepe de queijo com borda de catupiry salpicado com orégano. Mal sabe ele que essa porção calórica perdeu a validade FAZ TEMPO.
Ou seja: mais cedo ou mais tarde, nosso amigo precisará de nossa ajuda e talvez de nossa amizade. Quem sabe nessa hora, ele será recebido com o mesmo tratamento, pago na mesma moeda.
Foi aí que notei quão triste deve ser a vida de um certo “Zé” aqui de minha cidade. Sempre rodeado das pessoas que se acham influenciáveis, Zé parece seguir na mesma direção da patotinha ‘famosos por não fazerem nada relevante’. Com o tempo, essa persona que apresentava certo talento profissional foi se perdendo no caminho do tão badalado mundo das baladas, como se elas realmente existem aqui em nossa terrinha sharkcitiana.
Nas fotos, a companhia dos famosos, sejam eles de nível estadual, nacional e até internacional (aham, acreditamos). Na cara, o sorriso sarcástico que está longe do humor negro inteligente. Comparando-se aos mais nobres artistas da área, ele vem se achando o último crepe de queijo com borda de catupiry salpicado com orégano. Mal sabe ele que essa porção calórica perdeu a validade FAZ TEMPO.
Ou seja: mais cedo ou mais tarde, nosso amigo precisará de nossa ajuda e talvez de nossa amizade. Quem sabe nessa hora, ele será recebido com o mesmo tratamento, pago na mesma moeda.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Desafios
Quem não tem medo do imprevisível levante a mão! Tenho certeza que poucos se atreveriam. Mas o problema não é esse. Nos últimos anos, descobri que a insegurança de não saber o que acontecerá no futuro é apenas um obstáculo para o desafio de seguir em frente. E muitas vezes isso significa mudanças. Uma delas foi ter decidido morar em Dulbin. Malas prontas e a plena consciência de que quando voltasse pra casa muitas coisas estariam diferentes. Não importa se é a instalação de um semáforo na esquina do prédio, a inauguração de um boliche, o corte de cabelo de minha mãe. Com o tempo, é normal que tudo siga o rumo da vida, mesmo que isso pareça frase de livro auto-ajuda dos quais eu não tenho um pingo de paciência para folhear.
Aprendi também, desde cedo, que não podemos ser mesquinhos ou egoístas. Nada mais justo de que amigos e familiares tenham a chance de achar um emprego bacana, buscar uma melhor qualidade de vida e tal da plena felicidade. Como a psicologia mesmo explica, nós humanos racionais e por muitas vezes irracionais, nunca estamos satisfeitos. Queremos mais. Mais saúde, mais dinheiro, alegria, carro, casa.
Eu quero mais. Não que o dinheiro não seja importante. Mas quero lutar para ter um espaço bacana, para mostrar o profissional que sou e quem sabe, colher os resultados e a recompensa do esforço.
E após ter vivido em outro país, conhecer uma nova cultura e falar outra língua, digo: dia 10 de dezembro volto ao Brasil. E quando esse dia chegar, mais uma etapa será cumprida. E como o homem nunca está satisfeito, será também nessa data que eu começo a fazer novos planos. Eu quero muito mais. E mal posso esperar!
Aprendi também, desde cedo, que não podemos ser mesquinhos ou egoístas. Nada mais justo de que amigos e familiares tenham a chance de achar um emprego bacana, buscar uma melhor qualidade de vida e tal da plena felicidade. Como a psicologia mesmo explica, nós humanos racionais e por muitas vezes irracionais, nunca estamos satisfeitos. Queremos mais. Mais saúde, mais dinheiro, alegria, carro, casa.
Eu quero mais. Não que o dinheiro não seja importante. Mas quero lutar para ter um espaço bacana, para mostrar o profissional que sou e quem sabe, colher os resultados e a recompensa do esforço.
E após ter vivido em outro país, conhecer uma nova cultura e falar outra língua, digo: dia 10 de dezembro volto ao Brasil. E quando esse dia chegar, mais uma etapa será cumprida. E como o homem nunca está satisfeito, será também nessa data que eu começo a fazer novos planos. Eu quero muito mais. E mal posso esperar!
sábado, 24 de outubro de 2009
Quem quer pão?
Após descobrir a vocação pra garçom, nas últimas semanas tenho aprimorado o meu lado “fazedor de sanduíches”. Todo mundo está cansado de saber que realizar intercâmbio é enfrentar desafios propostos na nova terrinha. Os objetivos variam: conquistar espaço, um pouco de dinheiro ou ainda mais tempo em solo estrangeiro. Juntando isso tudo numa mala, mais uma porção de coragem e outra de cara-de-pau, lá fui eu tentar uma vaga no café da maternidade aqui no centro de Dublin.
Depois da entrevista com a gerente uma boa notícia. Fase um: treinamento, o primeiro passo para provar que quem deseja a vaga está realmente disposto a lutar por ela. E com todos os meus conhecimentos em variedades de pão, molhos, saladas e carnes (aham, sonha), lá estava eu, avental e touquinha, pronto para a batalha.
Por mais incrível que pareça, até que eu não sou tão ruim no negócio. Não que os sanduíches fiquem uma obra de arte. Longe disso. Mas já dão as caras a agilidade e a rapidez necessárias para atender o povo nos horários de pico. Quem pode falar melhor se estou indo bem ou mal são os meus flatmates. Por sorte, foram eles que me treinaram para o novo trampo. Ou seja, duas pessoas com muita, muita paciência e que me ajudaram a passar para a fase dois. Sai o estagiário, entra o empregado.
Como sempre, alguns micos foram acrescentados a lista de “besteiras feitas enquanto morava em Dublin”. Entender um irlandês ou estrangeiro tentando falar inglês não é tarefa fácil, mesmo já estando aqui há quatro meses. Ainda mais quando essas pessoas cismam em chamar bacon de rasher. O cara pedia rasher e eu, com a maior cara de babaca do mundo, olhava o balcão, tentando imaginar o que seria o tal de rasher. Ó céus.
Enfim. Depois de trabalhar temporariamente na Guinness, uma das maiores cervejarias do mundo, aqui sigo para mais um desafio. O tempo vai passando e em breve, devo ter a data de quando estarei aportando novamente em solo sharkcityano. Como diria a Iris do TV Fama, aguarrrrrrrrrde.
Depois da entrevista com a gerente uma boa notícia. Fase um: treinamento, o primeiro passo para provar que quem deseja a vaga está realmente disposto a lutar por ela. E com todos os meus conhecimentos em variedades de pão, molhos, saladas e carnes (aham, sonha), lá estava eu, avental e touquinha, pronto para a batalha.
Por mais incrível que pareça, até que eu não sou tão ruim no negócio. Não que os sanduíches fiquem uma obra de arte. Longe disso. Mas já dão as caras a agilidade e a rapidez necessárias para atender o povo nos horários de pico. Quem pode falar melhor se estou indo bem ou mal são os meus flatmates. Por sorte, foram eles que me treinaram para o novo trampo. Ou seja, duas pessoas com muita, muita paciência e que me ajudaram a passar para a fase dois. Sai o estagiário, entra o empregado.
Como sempre, alguns micos foram acrescentados a lista de “besteiras feitas enquanto morava em Dublin”. Entender um irlandês ou estrangeiro tentando falar inglês não é tarefa fácil, mesmo já estando aqui há quatro meses. Ainda mais quando essas pessoas cismam em chamar bacon de rasher. O cara pedia rasher e eu, com a maior cara de babaca do mundo, olhava o balcão, tentando imaginar o que seria o tal de rasher. Ó céus.
Enfim. Depois de trabalhar temporariamente na Guinness, uma das maiores cervejarias do mundo, aqui sigo para mais um desafio. O tempo vai passando e em breve, devo ter a data de quando estarei aportando novamente em solo sharkcityano. Como diria a Iris do TV Fama, aguarrrrrrrrrde.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Rotina
Isabela seguia a rotina como os ponteiros do relógio. Passava pelos mesmos lugares, realizava os mesmos atos, pensava nas mesmas coisas e voltava ao mesmo lugar. Nesse marasmo, nada prendia a atenção da jovem que, aos 19 anos, preocupava-se somente com a própria vida. Um dia, em plena aula, Isabela notou a presença do novo aluno. Cabisbaixo, Roberto anotava cada palavra dita pela professora. Algo bem estranho, levando em consideração o clima universitário propício para festas, bebidas e a descoberta do sexo casual que, claro, ela nunca tinha experimentado.
Aos poucos, Isabela e Roberto foram se aproximando. Música, cinema, política. Qual o professor mais chato, as disciplinas inúteis na prática, tudo virava assunto e ao mesmo tempo flerte. Um visitou a casa do outro, familiares foram apresentados, uma mãe boba animou-se na esperança de que seria aquele o jovem que libertaria a menina/mulher do encanto da rotina.
Três meses de amizade, nada avançava. Roberto não tomava a atitude esperada. Isabela também continuava com os mesmo gestos frágeis. Um dia, decidam justos desbravar uma cidade nova. Um domingo para olhar um diferente horizonte, respirar novos ares. Viagem simples, apenas um dia e de ônibus. Ali, eles tentavam nem se lembrar do desejo antigo de alimentar uma paixão.
Na companhia do sol, tiveram a chance de contemplar uma imagem paradisíaca enquanto a brisa movimentava calmamente o mar.
Na volta, cansada, Isabela deitou levemente a cabeça no ombro de Roberto.
E assim, depois da longa espera, o desejo de ambos tornou-se realidade.
Aos poucos, Isabela e Roberto foram se aproximando. Música, cinema, política. Qual o professor mais chato, as disciplinas inúteis na prática, tudo virava assunto e ao mesmo tempo flerte. Um visitou a casa do outro, familiares foram apresentados, uma mãe boba animou-se na esperança de que seria aquele o jovem que libertaria a menina/mulher do encanto da rotina.
Três meses de amizade, nada avançava. Roberto não tomava a atitude esperada. Isabela também continuava com os mesmo gestos frágeis. Um dia, decidam justos desbravar uma cidade nova. Um domingo para olhar um diferente horizonte, respirar novos ares. Viagem simples, apenas um dia e de ônibus. Ali, eles tentavam nem se lembrar do desejo antigo de alimentar uma paixão.
Na companhia do sol, tiveram a chance de contemplar uma imagem paradisíaca enquanto a brisa movimentava calmamente o mar.
Na volta, cansada, Isabela deitou levemente a cabeça no ombro de Roberto.
E assim, depois da longa espera, o desejo de ambos tornou-se realidade.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Mudanças
Faz apenas três meses que saí de Tubarão. E o tempo passa rápido, mesmo que os amigos digam o contrário. Por isso quando soube que pai e mãe passariam comigo quatro dias em Dublin foi, sem dúvida, uma ótima e alegre notícia.
Chegada a data, mal pude segurar a ansiedade de vê-los. Peguei o duble deck bus e segui ao aeroporto com uma hora de antecedência. Pensava o que eles achariam da cidade, de minha nova casa, dos amigos, da escola, enfim, insegurança e saudade, tudo ao mesmo tempo.
O problema é que passou 10, 20, 30, 40 minutos do horário previsto e nada de dois passarem pelo portão de desembarque. Preocupado, fui conferir por oito vezes os horários, números de vôo e destinos.
De repente, lá estão eles. Daí pra frente foi cena de filme. Saí correndo e eles vieram em minha direção, larguei minha mochila e abracei fortemente minha mãe. Até lembrar de que, como dizia o aviso, não deveria deixar nenhuma bolsa solta sozinha no chão. A segurança do prédio pode “recolher o material e explodi-lo”, numa vibe paranóica pós-11 de setembro.
E foi tudo perfeito. A cidade, como eu já previa, foi aprovada com nota máxima. O mesmo aconteceu com os amigos, escola e casa. Um momento para que eles tivessem certeza de que só estou um pouco mais magro porque ando bastante e não dificuldade ou descuido.
Mesmo sabendo que a oportunidade é de ouro, quando eles deixaram o aeroporto de Dublin eu só pensava em ir embora. De volta pra minha cidade, pra minha casa, de acordar pela madrugada e ver o meu irmão dormindo (ele não pode vir o que aumenta ainda mais a saudade que sinto dele). Reencontrar os amigos e rever os lugares que antes me eram comuns.
E só depois disso que pensei em como tudo mudará. De como o tempo passa, dos amigos que poderão trocar de cidade, dos gostos, sabores, cheiros e imagens. O modo de pensar, de ver o mundo, pessoas, situações.
E isso gera medo, mas não o bastante para que eu me arrependa ou para que eu volte ao lugar seguro. Quero desafios. Coisas novas. Está no sangue e na memória que pertence aos sonhos mais antigos.
Então percebi o quanto mudei. E pode ter certeza, isso é muito, muito bom.
Chegada a data, mal pude segurar a ansiedade de vê-los. Peguei o duble deck bus e segui ao aeroporto com uma hora de antecedência. Pensava o que eles achariam da cidade, de minha nova casa, dos amigos, da escola, enfim, insegurança e saudade, tudo ao mesmo tempo.
O problema é que passou 10, 20, 30, 40 minutos do horário previsto e nada de dois passarem pelo portão de desembarque. Preocupado, fui conferir por oito vezes os horários, números de vôo e destinos.
De repente, lá estão eles. Daí pra frente foi cena de filme. Saí correndo e eles vieram em minha direção, larguei minha mochila e abracei fortemente minha mãe. Até lembrar de que, como dizia o aviso, não deveria deixar nenhuma bolsa solta sozinha no chão. A segurança do prédio pode “recolher o material e explodi-lo”, numa vibe paranóica pós-11 de setembro.
E foi tudo perfeito. A cidade, como eu já previa, foi aprovada com nota máxima. O mesmo aconteceu com os amigos, escola e casa. Um momento para que eles tivessem certeza de que só estou um pouco mais magro porque ando bastante e não dificuldade ou descuido.
Mesmo sabendo que a oportunidade é de ouro, quando eles deixaram o aeroporto de Dublin eu só pensava em ir embora. De volta pra minha cidade, pra minha casa, de acordar pela madrugada e ver o meu irmão dormindo (ele não pode vir o que aumenta ainda mais a saudade que sinto dele). Reencontrar os amigos e rever os lugares que antes me eram comuns.
E só depois disso que pensei em como tudo mudará. De como o tempo passa, dos amigos que poderão trocar de cidade, dos gostos, sabores, cheiros e imagens. O modo de pensar, de ver o mundo, pessoas, situações.
E isso gera medo, mas não o bastante para que eu me arrependa ou para que eu volte ao lugar seguro. Quero desafios. Coisas novas. Está no sangue e na memória que pertence aos sonhos mais antigos.
Então percebi o quanto mudei. E pode ter certeza, isso é muito, muito bom.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Semana família
Como já expliquei aqui no blog, ainda não sei por quanto tempo ficarei aqui em Dublin. Pode ser até o fim deste ano ou até 2010. Tudo dependerá das condições financeiras. Porém, essa situação já está um pouco melhor com a chegada do trabalho temporário. E daí, caros amigos, que eu descobri a minha vocação para garçom.
Isso mesmo, encher uma bandeja, carregar copos e comida, servir pints, conversar e ser simpático com os clientes. Se eu soubesse disso antes, tinha feito até cursinho. Não é nada que me deixará rico, mas paga as contas aqui no estrangeiro. Para quem quiser conhecer meu atual temporário local de trabalho é só visitar o site da Guinness StoreHouse.
E não pense que estou me humilhando para fazer tal serviço. Para quem leu e torceu o nariz, vai a dica. Quer fazer intercâmbio: se prepara! Cai na real e curte o momento. E é isso que faço em cada segundo que passo em Dublin.
Para completar a felicidade, soube que meus pais virão pra Irlanda na próxima semana. Mal posso esperar para mostrar a eles minha casa, a cidade nova, parques, lojas (Dona Eva vai amar essa parte) e paisagens. Serão quatro dias para matar a saudade. Depois, sigo para Londres por três dias. Quanto custou a passagem ida e volta? Menos de trinta reais. :D
Isso mesmo, encher uma bandeja, carregar copos e comida, servir pints, conversar e ser simpático com os clientes. Se eu soubesse disso antes, tinha feito até cursinho. Não é nada que me deixará rico, mas paga as contas aqui no estrangeiro. Para quem quiser conhecer meu atual temporário local de trabalho é só visitar o site da Guinness StoreHouse.
E não pense que estou me humilhando para fazer tal serviço. Para quem leu e torceu o nariz, vai a dica. Quer fazer intercâmbio: se prepara! Cai na real e curte o momento. E é isso que faço em cada segundo que passo em Dublin.
Para completar a felicidade, soube que meus pais virão pra Irlanda na próxima semana. Mal posso esperar para mostrar a eles minha casa, a cidade nova, parques, lojas (Dona Eva vai amar essa parte) e paisagens. Serão quatro dias para matar a saudade. Depois, sigo para Londres por três dias. Quanto custou a passagem ida e volta? Menos de trinta reais. :D
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Fuga
Oito horas da noite de uma terça-feira, ele recebeu a notícia. Ouvindo atentamente, tentava assimilar as palavras que podiam mudar para sempre a vida. Num momento de fraqueza, a pessoa que antes lhe era confiável, agora tem ares de megera malvada, de monstro do armário, de bicho-papão.
Que o mundo dá voltas, todo mundo sabe. Mas ele nunca achou que seria vítima dos próprios erros ou, principalmente, do erro dos outros. Num ato de desespero, desliga o telefone, se encolhe na cama, sofre em silêncio. As paredes parecem ser as únicas a contemplar a dor. O vazio do quarto se espalha aos órgãos do corpo frio, que já não responde mais pelos estímulos.
As lágrimas não caem. Cismam em secar antes mesmo de se espalharem pelo rosto, atônito. Não, na verdade ele queria escapar da dor que a notícia o fazia sentir. Levantar o rosto, seguir em frente, lavar a alma e tentar esquecer, deixar para trás.
Impossível.
Sabendo que os sentimentos verdadeiros sempre estarão ali e que as lembranças, como um fantasma, virão atormentá-lo pela noite, sentiu-se no direito de fugir. Pulou do andar mais alto dos prédios, cortou os laços que achava antes inseparáveis e viveu. Sobreviveu. Continuou. Foi exemplo.
As vezes, eu queria ser ele.
Que o mundo dá voltas, todo mundo sabe. Mas ele nunca achou que seria vítima dos próprios erros ou, principalmente, do erro dos outros. Num ato de desespero, desliga o telefone, se encolhe na cama, sofre em silêncio. As paredes parecem ser as únicas a contemplar a dor. O vazio do quarto se espalha aos órgãos do corpo frio, que já não responde mais pelos estímulos.
As lágrimas não caem. Cismam em secar antes mesmo de se espalharem pelo rosto, atônito. Não, na verdade ele queria escapar da dor que a notícia o fazia sentir. Levantar o rosto, seguir em frente, lavar a alma e tentar esquecer, deixar para trás.
Impossível.
Sabendo que os sentimentos verdadeiros sempre estarão ali e que as lembranças, como um fantasma, virão atormentá-lo pela noite, sentiu-se no direito de fugir. Pulou do andar mais alto dos prédios, cortou os laços que achava antes inseparáveis e viveu. Sobreviveu. Continuou. Foi exemplo.
As vezes, eu queria ser ele.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Arriba! Salve Julio Iglesias!
Algumas coisas são inexplicáveis aqui em Dublin. O tempo é uma delas e já foi tema aqui do blog. Outras curiosidades ficam por conta do povo e do modo de vida. Para se ter um cachorro em casa, paga-se uma taxa. O mesmo serve para a televisão. As paredes são todas de gesso, não se paga pela água, mas só pela energia. Festinhas com drogas, liberadas. Bêbados sentados na sarjeta, algema neles! Enfim, lugar diferente sempre revela novas experiências.
Mas o que está rendendo mesmo aqui são os assuntos relacionados ao meu colega mexicano com o qual divido minha singela acomodação. Cinco dias após minha chegada, ele organizou aquela festa. Motivo não faltou. Era o jogo do ano para os amantes de chili, México contra Estados Unidos e durante toda a noite eles ficaram assim, juntinhos, torcendo, gritando, berrando, mais ou menos uns quinze deles aqui na sala de casa, todos com a cerva em mãos.
Para minha tristeza e dos outros flatmates, a porcaria do time do México venceu. Ah, queridos, não queiram nunca participar de uma festa junto desse pessoal. E eu achando que brasileiro era fanático por futebol. Tsc, tsc, ingenuidade. Era mexicano chorando, cantando, se abraçando. Deusdocéu, o caos na Terra!
E foi aí que descobri que nesses momentos de alegria e felicidade, eles põem a todo volume as músicas mais bregas que você nem pensa que existe. Ou até já ouviu falar sobre, mas evita a todo custo! Luiz Miguel, Julio Igresias e toda a trupe também apareceram por aqui. Só faltou o chapelão. Porque os “arribas”, amigos, eu ouvi.
Mas isso não é o bastante para alegrar o dia do colega from México. Bom mesmo é estar no auge da sexualidade, aos 20 anos, idade que só o faz pensar com a cabeça de baixo, de cabeça pra baixo e sem qualquer noção do que é certo ou errado. A cada semana, Coke aparece com uma menina nova, apresenta o nosso quarto pra ela e depois a sua cama. Tudo isso em horários alternativos, como no meio da tarde ou em algum momento em que ninguém está por casa. E se tem alguém, não dá nada. Vergonha foi pro espaço e nunca mais deu as caras.
Uma das últimas que ele aprontou foi na sala. Chegando ao apto acompanhado da donzela (não dotada de beleza, por sinal), mexicoboy pergunta se eu vou querer algo da cozinha. Digo inocentemente que não, daí ele me explica:
- É que eu to aí com a mina, e, tipo. Hehehehehehehe (risos com cara de safadão)
Sim, queridos. O sofazinho. Lugar onde nunca mais poderei sentar sem imaginar que foi ali o antro de carinho e amor escolhidos pelos pombinhos. Para melhorar ainda mais a situação, após o coito (que dura sempre menos de 10 minutos, o que revela a ejaculação precoce do cidadão) a menina, sujinha e se sentido usada, vai ao banheiro e, na maior liberdade ou cara-de-pau, toma um banho relaxante, quente e demorado.
E eu achando que na home-stay, vivendo com a família louca, estava em apuros. Salve-me Luiz Miguel. Salve-me.
Mas o que está rendendo mesmo aqui são os assuntos relacionados ao meu colega mexicano com o qual divido minha singela acomodação. Cinco dias após minha chegada, ele organizou aquela festa. Motivo não faltou. Era o jogo do ano para os amantes de chili, México contra Estados Unidos e durante toda a noite eles ficaram assim, juntinhos, torcendo, gritando, berrando, mais ou menos uns quinze deles aqui na sala de casa, todos com a cerva em mãos.
Para minha tristeza e dos outros flatmates, a porcaria do time do México venceu. Ah, queridos, não queiram nunca participar de uma festa junto desse pessoal. E eu achando que brasileiro era fanático por futebol. Tsc, tsc, ingenuidade. Era mexicano chorando, cantando, se abraçando. Deusdocéu, o caos na Terra!
E foi aí que descobri que nesses momentos de alegria e felicidade, eles põem a todo volume as músicas mais bregas que você nem pensa que existe. Ou até já ouviu falar sobre, mas evita a todo custo! Luiz Miguel, Julio Igresias e toda a trupe também apareceram por aqui. Só faltou o chapelão. Porque os “arribas”, amigos, eu ouvi.
Mas isso não é o bastante para alegrar o dia do colega from México. Bom mesmo é estar no auge da sexualidade, aos 20 anos, idade que só o faz pensar com a cabeça de baixo, de cabeça pra baixo e sem qualquer noção do que é certo ou errado. A cada semana, Coke aparece com uma menina nova, apresenta o nosso quarto pra ela e depois a sua cama. Tudo isso em horários alternativos, como no meio da tarde ou em algum momento em que ninguém está por casa. E se tem alguém, não dá nada. Vergonha foi pro espaço e nunca mais deu as caras.
Uma das últimas que ele aprontou foi na sala. Chegando ao apto acompanhado da donzela (não dotada de beleza, por sinal), mexicoboy pergunta se eu vou querer algo da cozinha. Digo inocentemente que não, daí ele me explica:
- É que eu to aí com a mina, e, tipo. Hehehehehehehe (risos com cara de safadão)
Sim, queridos. O sofazinho. Lugar onde nunca mais poderei sentar sem imaginar que foi ali o antro de carinho e amor escolhidos pelos pombinhos. Para melhorar ainda mais a situação, após o coito (que dura sempre menos de 10 minutos, o que revela a ejaculação precoce do cidadão) a menina, sujinha e se sentido usada, vai ao banheiro e, na maior liberdade ou cara-de-pau, toma um banho relaxante, quente e demorado.
E eu achando que na home-stay, vivendo com a família louca, estava em apuros. Salve-me Luiz Miguel. Salve-me.
sábado, 22 de agosto de 2009
What the hell?
Aprender inglês tem sido uma tarefa árdua. Explico: a comunicação é tranqüila. Dá pra perguntar, responder e se você entende metade do que um Irish diz, meu querido, você pode ser considerado um mestre das línguas e da compreensão. Nível máster! Não sei vocês, mas sempre tive sérios problemas para acompanhar o raciocínio da professorinha de português quando ela questionava o que era pretérito perfeito, imperfeito, mais que perfeito e todos os tipos de tempos existentes na nossa rica língua. Porém, sempre consegui entender tudo, fazer as provas corretamente e passar de ano sem maiores esforços.
Mas aprender essas coisas em inglês chega a dar dor de cabeça. Perfect, continuous, had been being e lá se vão todas as minhas esperanças. Em menos de um minuto, em apenas uma aula, o professor passou a lição, questionou e mais da metade da sala, com cara de ovo, ficava se perguntando como classificar as frases. Para piorar ainda mais nossa situação, o assunto principal da prova da semana era justamente esse.
Voltar aos tempos de escola é bom, mas também pode ser decepcionante. E olha que já pedi até material extra ao professor para exercitar algum ponto do cérebro que ainda não entendeu bem como avaliar o tema. Quanto mais tempo passo aqui mais tenho certeza de que devia ter estudado inglês desde os primeiros meses de vida.
Mesmo assim dá pra ter orgulho do pouco que já aprendi. Exemplo: quando pude ajudar um amigo do Brasil na correção de um texto. Enquanto conversávamos pelo Skype (a melhor invenção dos últimos anos) eu analisava o que estava certo ou errado. Ou como ele poderia explicar de outra forma o que queria falar. Espero que tenha ajudado :D. E semana que vem, dois meses de Dublin na veia. Passa rápido, voando!
Mas aprender essas coisas em inglês chega a dar dor de cabeça. Perfect, continuous, had been being e lá se vão todas as minhas esperanças. Em menos de um minuto, em apenas uma aula, o professor passou a lição, questionou e mais da metade da sala, com cara de ovo, ficava se perguntando como classificar as frases. Para piorar ainda mais nossa situação, o assunto principal da prova da semana era justamente esse.
Voltar aos tempos de escola é bom, mas também pode ser decepcionante. E olha que já pedi até material extra ao professor para exercitar algum ponto do cérebro que ainda não entendeu bem como avaliar o tema. Quanto mais tempo passo aqui mais tenho certeza de que devia ter estudado inglês desde os primeiros meses de vida.
Mesmo assim dá pra ter orgulho do pouco que já aprendi. Exemplo: quando pude ajudar um amigo do Brasil na correção de um texto. Enquanto conversávamos pelo Skype (a melhor invenção dos últimos anos) eu analisava o que estava certo ou errado. Ou como ele poderia explicar de outra forma o que queria falar. Espero que tenha ajudado :D. E semana que vem, dois meses de Dublin na veia. Passa rápido, voando!
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